Bunge encerra produção de amônia e de insumo para fertilizantes em fábrica na Argentina
Empresa atribui a decisão a limitações de uma planta com mais de 50 anos e a mudanças no mercado. Sindicato, segundo veículos argentinos, cita a concorrência de importados.
O que a unidade produzia
A fábrica fabricava amônia e tiossulfato de amônio, substâncias usadas na produção de fertilizantes. A amônia é matéria-prima de fertilizantes nitrogenados, como a ureia, aplicados em culturas como milho, trigo, cevada e arroz. Segundo veículos argentinos, a produção de ureia no local foi interrompida há quase uma década. O tiossulfato de amônio entra na formulação de fertilizantes líquidos que fornecem nitrogênio e enxofre às plantas.
Os motivos, segundo a empresa
Segundo a Bunge, a decisão foi tomada depois de uma análise de alternativas operacionais e comerciais. A companhia afirma que uma combinação de fatores “compromete a viabilidade econômica da operação”. Entre eles estão limitações de infraestrutura e de tecnologia de uma planta com mais de 50 anos, além de mudanças nas condições de mercado e no abastecimento de insumos.
A versão do sindicato
Representantes sindicais ouvidos por veículos argentinos relacionam o fechamento à dificuldade de competir com fertilizantes importados. A nota da empresa divulgada pelo g1 não cita esse fator. O sindicato químico também disse que pediria uma audiência urgente às autoridades trabalhistas, segundo o site El Marplatense.
Quantos trabalhadores são afetados
Os números variam. O jornal La Nación fala em 110 trabalhadores. Representantes dos trabalhadores citados pelo site Bichos de Campo estimam entre 135 e 137 empregados diretos. Alguns veículos argentinos mencionam até 250 postos de trabalho em risco, se forem incluídos funcionários de empresas contratadas. Segundo o La Nación, não foi detalhado se há possibilidade de realocação em outras operações da companhia.
A Bunge afirmou que pretende conduzir o processo com respeito aos funcionários afetados, oferecendo informações e apoio e cumprindo as obrigações correspondentes.
Participação da ACA e alcance da decisão
A Associação de Cooperativas Argentinas (ACA) participava da operação, com uma parcela equivalente a 17,5% da produção, segundo o La Nación. A Bunge disse que o encerramento se limita à fábrica de Campana e não altera as outras atividades na Argentina. A empresa também afirmou que continuará investindo em infraestrutura e ativos produtivos ligados ao processamento de matérias-primas agrícolas no país.
Quem é a Bunge
A Bunge é uma multinacional do agronegócio que atua desde a compra e o processamento de grãos até a fabricação de alimentos e ingredientes industriais. No Brasil, comercializa produtos como os óleos Soya, as farinhas Rosa Branca e margarinas e maioneses de marcas como Primor e Delícia. Também processa soja para produzir farelo para alimentação animal e matérias-primas para as indústrias de alimentos e de biocombustíveis.
Com informações do g1, do La Nación e de veículos argentinos.



