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‘Você vai vender o posto por bem ou por mal’: como empresários eram ameaçados em lavagem de dinheiro do PCC

Empresários de São Paulo denunciaram ter sido obrigados a vender postos de combustíveis sob ameaças de integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC). Os relatos foram revelados em reportagem exibida pelo Fantástico, da TV Globo, neste domingo (29).

Segundo as vítimas, as negociações eram feitas sob intimidação, com ameaças de morte. Além de não receberem o valor prometido, muitos ainda tiveram a assinatura falsificada em contratos e foram responsabilizados por fraudes cometidas pela quadrilha.

Um dos empresários contou que o posto permaneceu em seu nome e passou a ser usado para vender combustível adulterado. “Essas pessoas eram vítimas duas vezes: primeiro, porque não recebiam, e depois porque passavam a responder pelos crimes da organização”, afirmou o promotor de Justiça Sílvio Loubeh.

De acordo com o Ministério Público, um dos articuladores do esquema era Wilson Pereira Júnior, o “Wilsinho”, que adquiria postos em parceria com o empresário Flávio Silvério Siqueira, apontado como principal beneficiário. Outro envolvido seria Alexandre Leal.

A defesa de Siqueira nega qualquer ligação com o PCC. Já os advogados de Pereira Júnior informaram que ele “não foi formalmente citado no processo” e que prestará esclarecimentos às autoridades. A reportagem não conseguiu contato com os representantes de Alexandre Leal.

Os depoimentos mostram ainda a forma como os criminosos usavam intimidação. “Ele disse: ‘Pai mata filho por dinheiro. Filho mata pai por dinheiro. Se mata muito fácil por causa de dinheiro’”, relatou uma das vítimas.

Muitos empresários perderam completamente a fonte de renda. “Perdi meu ganha-pão. E a gente fica desesperado”, disse um deles. Outro afirmou: “Sabia que ia dançar financeiramente, mas pelo menos sigo minha vida”.

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