Home / Mundo / Apoiadores de Bolsonaro fazem atos no 7 de Setembro para pedir anistia; Tarcísio ataca Moraes na Paulista

Apoiadores de Bolsonaro fazem atos no 7 de Setembro para pedir anistia; Tarcísio ataca Moraes na Paulista

Neste domingo (7), feriado da Independência, apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro realizaram manifestações em diversas cidades brasileiras com o objetivo central de reivindicar anistia aos condenados pelos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023.

Sob o lema “reaja, Brasil: o medo acabou”, os protestos foram marcados por críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF) e, em especial, ao ministro Alexandre de Moraes. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), classificou Moraes como “tirano” em discurso na Avenida Paulista.

Na capital paulista, o ato ocorreu na Avenida Paulista e reuniu aproximadamente 42,2 mil pessoas, de acordo com estimativas do Monitor Político do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), em parceria com a Universidade de São Paulo (USP) e a ONG More in Common. Considerando a margem de erro de 12%, o público variou entre 37,1 mil e 47,3 mil participantes no momento de maior concentração. Em 2024, no mesmo local e data, o Monitor havia registrado 45,4 mil presentes.

Um dos elementos de destaque foi a exibição de uma bandeira dos Estados Unidos em frente ao Museu de Arte de São Paulo (Masp). Além disso, diversos cartazes em inglês pediam que o ex-presidente norte-americano Donald Trump adotasse novas medidas de pressão contra o STF. Também foram exibidas faixas defendendo o impeachment do ministro Alexandre de Moraes.

Bolsonaro, atualmente em prisão domiciliar, não pôde participar das manifestações, nem mesmo por meio de vídeo, devido às restrições impostas pela Justiça. O Supremo Tribunal Federal retomará, nesta terça-feira (9), o julgamento em que o ex-presidente responde pela tentativa de golpe de Estado e por outros quatro crimes, cujas penas podem somar até 43 anos de reclusão.

No Rio de Janeiro, a mobilização ocorreu na orla de Copacabana e contou com cerca de 42,7 mil pessoas, segundo o levantamento do Cebrap. Apesar das diferenças populacionais entre São Paulo e Rio, os dados do Monitor apontaram taxas distintas de mobilização: 4,4 pessoas por mil habitantes em São Paulo e 8,2 no Rio. Considerando o número de eleitores, a proporção foi de 13,2 por mil na capital paulista e 22,1 na capital fluminense.

Durante o ato em São Paulo, o governador Tarcísio de Freitas defendeu publicamente a candidatura de Bolsonaro em 2026, apesar da inelegibilidade até 2030 imposta pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por abuso de poder político. Em seu discurso, Tarcísio criticou a atuação de Alexandre de Moraes e afirmou que não aceitará “a ditadura de um poder sobre o outro”.

Em reação às declarações, o ministro do STF Gilmar Mendes publicou nota afirmando que “o que o Brasil realmente não aguenta mais são as sucessivas tentativas de golpe que, ao longo de sua história, ameaçaram a democracia e a liberdade do povo”. Ressaltou ainda que “crimes contra o Estado Democrático de Direito são insuscetíveis de perdão” e que cabe às instituições puni-los com rigor.

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro também discursou na Avenida Paulista, em tom emocionado, afirmando haver “perseguição política” contra seu marido e sua família. Segundo ela, Bolsonaro desejava participar da manifestação, mas foi impedido pelas restrições judiciais.

As manifestações foram articuladas pelo pastor Silas Malafaia, da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, investigado pela Polícia Federal por tentativa de coação no âmbito do julgamento do ex-presidente. Participaram ainda líderes do PL, como Valdemar Costa Neto, além de governadores e parlamentares aliados, entre eles Romeu Zema (Minas Gerais) e Cláudio Castro (Rio de Janeiro).

Outros atos ocorreram em diferentes capitais, como Recife (4,1 mil pessoas), Florianópolis (1,6 mil), Belém (1,6 mil) e Goiânia (1,4 mil). Em Recife, chamou atenção um boneco inflável representando Donald Trump. Em Belo Horizonte, a mobilização ocorreu na Praça da Liberdade com a presença do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG). Em Florianópolis, estiveram presentes dois filhos do ex-presidente: Carlos e Jair Renan. Em São Luís (MA), o ato ocorreu por meio de motociata e carreata.

Em paralelo, movimentos de esquerda também organizaram protestos em resposta às manifestações bolsonaristas. O principal ocorreu no centro de São Paulo e reuniu cerca de 8,8 mil pessoas.

No Congresso Nacional, cresce a pressão pela votação de um projeto de anistia. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), é alvo de forte articulação de aliados de Bolsonaro, mas ainda não levou a proposta a plenário. As discussões giram em torno do alcance da medida: se contemplaria apenas os já condenados pelos atos de 8 de janeiro ou se incluiria também o ex-presidente e aliados que respondem a processos no STF.

Enquanto o PL e partidos do Centrão pressionam pela aprovação, o governo federal já se manifestou contrário, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a mobilização social para impedir a anistia.

Deixe um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *