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quarta-feira Vitória, 4 de novembro de 2026

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PF faz operação contra ex-secretário do STJ suspeito de vazar informações ao advogado Willer Tomaz

Ação foi autorizada por Alexandre de Moraes dentro de inquérito no STF que apura suposta lavagem de dinheiro e investiga o advogado e o senador Flávio Bolsonaro. Willer nega irregularidades

Plenário do Superior Tribunal de Justiça, em Brasília
Foto: Gustavo Lima / STJ
A Polícia Federal fez nesta segunda-feira (19) uma operação para apurar suspeita de violação de sigilo funcional por um ex-servidor do Superior Tribunal de Justiça (STJ). O alvo é Humberto Fontoura Pradera, ex-secretário de Tecnologia da Informação do tribunal, suspeito de ter facilitado o acesso do advogado Willer Tomaz a informações de processos em andamento na Corte. As informações são do g1.


Batizada de Operação Linceu, a ação cumpriu um mandado de busca e apreensão em Brasília. A ordem foi dada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).


A PF apura os crimes de violação de sigilo funcional, peculato eletrônico, corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro.


Ligação com inquérito no STF


A operação foi autorizada dentro de um inquérito aberto no STF para apurar suposta lavagem de dinheiro. Nele são investigados Willer Tomaz e o senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, de quem o advogado é amigo. Flávio não foi alvo da operação desta segunda.


Exonerado na sexta


Pradera ocupava o cargo de secretário de Tecnologia da Informação e Comunicação do STJ e já tinha chefiado a Assessoria de Inteligência Artificial do tribunal, participando de projetos de transformação digital e de sistemas internos. Ele foi exonerado na sexta-feira (16) pelo presidente do STJ, ministro Luís Felipe Salomão.


O que diz a PF


Segundo relatório da Polícia Federal, Pradera repassava a Willer informações sobre demandas internas do tribunal. Em uma das mensagens, contou ao advogado que duas pessoas tinham sido designadas para cuidar de um assunto e disse que o manteria informado. Em outra, enviou a foto de um documento aberto na tela de um computador.


Os investigadores citam ainda uma conversa em que, perguntado sobre o número de um processo, Pradera indicou um recurso especial e explicou os possíveis efeitos do julgamento. Para a PF, a conversa mostra o compartilhamento de informações sobre o processo.


Investigação sobre o advogado


No inquérito sobre lavagem de dinheiro, a PF afirma que a atuação de Willer se dividia em duas frentes. Na financeira, foram identificadas movimentações de cerca de R$ 130 milhões no Magnum Bank entre março e maio de 2025, com fracionamento de valores e repasses entre empresas e plataformas de apostas. Na jurídica, a suspeita é de interferência em processos de grande interesse econômico no STJ e na Procuradoria-Geral da República, com acesso antecipado a votos e decisões.


O que diz o STJ


Em nota, o STJ informou que afastou e exonerou servidores suspeitos de irregularidades e vazamento de informações e abriu processos administrativos. O tribunal disse que reforçou os protocolos de segurança e lançou o programa Confiança Digital para proteger dados institucionais.


O que dizem os investigados


O advogado Willer Tomaz negou categoricamente ter tido acesso irregular a decisões judiciais ou a pareceres do Ministério Público Federal e afirmou que as suspeitas são falsas. Segundo a defesa, saber antes sobre julgados do STJ é uma funcionalidade do próprio sistema da Corte, e não crime. A defesa também disse que desconhece o relatório da PF, criticou a divulgação “seletiva” em plena campanha eleitoral e afirmou que o vazamento de material sigiloso é que é ilegal.


O g1 não conseguiu localizar Humberto Pradera nem a defesa dele.


Com informações do g1.

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