PF faz operação contra ex-secretário do STJ suspeito de vazar informações ao advogado Willer Tomaz
Ação foi autorizada por Alexandre de Moraes dentro de inquérito no STF que apura suposta lavagem de dinheiro e investiga o advogado e o senador Flávio Bolsonaro. Willer nega irregularidades
Batizada de Operação Linceu, a ação cumpriu um mandado de busca e apreensão em Brasília. A ordem foi dada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
A PF apura os crimes de violação de sigilo funcional, peculato eletrônico, corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro.
Ligação com inquérito no STF
A operação foi autorizada dentro de um inquérito aberto no STF para apurar suposta lavagem de dinheiro. Nele são investigados Willer Tomaz e o senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, de quem o advogado é amigo. Flávio não foi alvo da operação desta segunda.
Exonerado na sexta
Pradera ocupava o cargo de secretário de Tecnologia da Informação e Comunicação do STJ e já tinha chefiado a Assessoria de Inteligência Artificial do tribunal, participando de projetos de transformação digital e de sistemas internos. Ele foi exonerado na sexta-feira (16) pelo presidente do STJ, ministro Luís Felipe Salomão.
O que diz a PF
Segundo relatório da Polícia Federal, Pradera repassava a Willer informações sobre demandas internas do tribunal. Em uma das mensagens, contou ao advogado que duas pessoas tinham sido designadas para cuidar de um assunto e disse que o manteria informado. Em outra, enviou a foto de um documento aberto na tela de um computador.
Os investigadores citam ainda uma conversa em que, perguntado sobre o número de um processo, Pradera indicou um recurso especial e explicou os possíveis efeitos do julgamento. Para a PF, a conversa mostra o compartilhamento de informações sobre o processo.
Investigação sobre o advogado
No inquérito sobre lavagem de dinheiro, a PF afirma que a atuação de Willer se dividia em duas frentes. Na financeira, foram identificadas movimentações de cerca de R$ 130 milhões no Magnum Bank entre março e maio de 2025, com fracionamento de valores e repasses entre empresas e plataformas de apostas. Na jurídica, a suspeita é de interferência em processos de grande interesse econômico no STJ e na Procuradoria-Geral da República, com acesso antecipado a votos e decisões.
O que diz o STJ
Em nota, o STJ informou que afastou e exonerou servidores suspeitos de irregularidades e vazamento de informações e abriu processos administrativos. O tribunal disse que reforçou os protocolos de segurança e lançou o programa Confiança Digital para proteger dados institucionais.
O que dizem os investigados
O advogado Willer Tomaz negou categoricamente ter tido acesso irregular a decisões judiciais ou a pareceres do Ministério Público Federal e afirmou que as suspeitas são falsas. Segundo a defesa, saber antes sobre julgados do STJ é uma funcionalidade do próprio sistema da Corte, e não crime. A defesa também disse que desconhece o relatório da PF, criticou a divulgação “seletiva” em plena campanha eleitoral e afirmou que o vazamento de material sigiloso é que é ilegal.
O g1 não conseguiu localizar Humberto Pradera nem a defesa dele.
Com informações do g1.



