Navio afunda após ataque de drones na costa da Bulgária; Rússia é apontada como suspeita
Tripulação da embarcação comercial está desaparecida. Seria o primeiro ataque a navios na zona econômica exclusiva de um país da Otan desde o início da guerra. Moscou não se manifestou
Fontes de segurança marítima ouvidas pela Reuters disseram que a Rússia é suspeita do ataque. Se isso se confirmar, será a primeira vez que embarcações são atacadas na zona econômica exclusiva de um país da Otan desde o início da guerra na Ucrânia, em 2022. O governo russo não havia se pronunciado até a publicação da reportagem.
Dois navios atingidos
O navio afundou a cerca de 112 km da cidade de Byala, no leste da Bulgária. Segundo o primeiro-ministro búlgaro, Rumen Radev, dois navios foram atingidos.
O que afundou tinha bandeira do Togo. A carga não foi divulgada, e ainda não se sabe quantas pessoas estavam a bordo. O segundo transportava grãos. A tripulação dele foi resgatada, e duas pessoas ficaram feridas.
O grupo britânico de gestão de riscos marítimos Vanguard identificou os cargueiros como Alfa Watan, com bandeira do Togo, e Able, com bandeira de Palau.
Autoria ainda não foi confirmada
Radev classificou o ataque como uma grave violação do direito internacional e o relacionou à guerra entre Rússia e Ucrânia. Ele não apontou um responsável. Segundo a agência búlgara BTA, o primeiro-ministro disse que ainda não é possível determinar se os drones foram lançados pela Rússia ou pela Ucrânia.
Uma fonte de segurança marítima afirmou, por outro lado, que as primeiras avaliações indicam um provável ataque russo.
O primeiro-ministro alertou que, se a guerra não terminar, ela vai continuar se espalhando e aumentar o risco de um conflito até global. Ele chamou de inaceitável o ataque a embarcações civis.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, condenou o episódio e disse que navios comerciais e tripulações civis estão sendo alvo, com mortes já registradas no mar.
Segundo caso em dois dias
O ataque ocorreu um dia depois de a Romênia informar que duas pessoas morreram em um incêndio em um navio no Mar Negro, fora das águas territoriais do país. O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, atribuiu esse caso a drones russos. A Rússia também não comentou.
A empresa de segurança marítima Marisks classificou os episódios como uma "escalada significativa" da ameaça à navegação comercial no oeste do Mar Negro. Ela recomendou que capitães e operadores redobrem a atenção para drones na região. Segundo a empresa, os incidentes estão chegando a áreas mais distantes da Ucrânia e às zonas econômicas exclusivas de países da Otan, como Romênia e Bulgária.
A Bulgária não faz fronteira com a Rússia nem com a Ucrânia, mas tem posição estratégica no Mar Negro, onde os dois países mantêm portos importantes. Desde 2022, países europeus já relataram drones russos em seus espaços aéreos e minas à deriva no Mar Negro, que afetam rotas comerciais e de energia.
Com informações do g1 e da Reuters.



