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quarta-feira Vitória, 4 de novembro de 2026

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Política · Nobel da Paz

Navi Pillay vence o Nobel da Paz de 2026 e ironiza Trump: “Talvez eu divida esse prêmio”

Jurista sul-africana de 85 anos foi premiada pela coragem e pela defesa do direito internacional. Ela julgou o genocídio em Ruanda e chefiou a área de direitos humanos da ONU

A jurista sul-africana Navi Pillay discursa em Nuremberg, na Alemanha, depois de ser anunciada vencedora do Nobel da Paz, em 9 de outubro de 2026
Foto: Agnes Callamard via Reuters
A jurista sul-africana Navanethem “Navi” Pillay, de 85 anos, venceu o Prêmio Nobel da Paz de 2026. O anúncio foi feito nesta sexta-feira (9). As informações são do portal g1.


Segundo o presidente do Comitê do Nobel, Jørgen Watne Frydnes, ela foi premiada pela coragem e pela integridade excepcionais em sua atuação jurídica e pelos esforços para promover a paz e o direito internacional.


Surpresa e ironia


Pillay recebeu a notícia no Palácio de Justiça de Nuremberg, na Alemanha, onde participava de um congresso, e foi ovacionada. Disse que, como advogada e juíza, ainda queria verificar a informação.


Em seguida, brincou com a plateia: se os aplausos continuassem, “talvez eu divida esse prêmio com Trump”. O presidente dos Estados Unidos defendia a própria candidatura ao Nobel. A frase também remete à vencedora do ano passado, a venezuelana María Corina Machado, que entregou a medalha a Trump e dedicou o prêmio a ele.


Crítica aos ataques ao TPI


Mais tarde, a jurista criticou o que chamou de Estados párias, que agem por conta própria e atacam instituições como o Tribunal Penal Internacional (TPI), alvo frequente do governo americano. Ela afirmou que os líderes mundiais têm a obrigação legal de proteger os direitos humanos, evitar a guerra e cumprir a Carta das Nações Unidas.


Pillay também comentou o elogio do comitê à sua coragem. Perguntou por que seria preciso coragem para dizer a verdade e afirmou que seu trabalho consiste em interpretar a lei e analisar os fatos de forma imparcial.


Ela disse que não pensa em parar. Hoje atua como juíza em um processo movido pela Gâmbia contra Mianmar.


Quem é Navi Pillay


Nascida em Durban, em uma família de origem tâmil indiana, Pillay se tornou advogada durante o apartheid, o regime de segregação racial da África do Sul. Ao longo da carreira, ela:


garantiu que Nelson Mandela tivesse acesso a um advogado quando estava preso;

foi a primeira mulher não branca na Suprema Corte da África do Sul;

presidiu o tribunal que julgou o genocídio em Ruanda;

chefiou a área de direitos humanos da ONU;

presidiu a comissão de inquérito da ONU que concluiu que Israel cometeu genocídio em Gaza.


O presidente do comitê afirmou que o compromisso dela com os princípios jurídicos universais foi constante em toda a carreira, mesmo diante da discriminação e da exclusão.


O prêmio


Pillay é a 21ª mulher a receber o Nobel da Paz, entre 144 premiados. Ela vai receber uma medalha de ouro e 12 milhões de coroas suecas, o equivalente a cerca de R$ 6 milhões.


Com informações do g1.

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