Navi Pillay vence o Nobel da Paz de 2026 e ironiza Trump: “Talvez eu divida esse prêmio”
Jurista sul-africana de 85 anos foi premiada pela coragem e pela defesa do direito internacional. Ela julgou o genocídio em Ruanda e chefiou a área de direitos humanos da ONU
Segundo o presidente do Comitê do Nobel, Jørgen Watne Frydnes, ela foi premiada pela coragem e pela integridade excepcionais em sua atuação jurídica e pelos esforços para promover a paz e o direito internacional.
Surpresa e ironia
Pillay recebeu a notícia no Palácio de Justiça de Nuremberg, na Alemanha, onde participava de um congresso, e foi ovacionada. Disse que, como advogada e juíza, ainda queria verificar a informação.
Em seguida, brincou com a plateia: se os aplausos continuassem, “talvez eu divida esse prêmio com Trump”. O presidente dos Estados Unidos defendia a própria candidatura ao Nobel. A frase também remete à vencedora do ano passado, a venezuelana María Corina Machado, que entregou a medalha a Trump e dedicou o prêmio a ele.
Crítica aos ataques ao TPI
Mais tarde, a jurista criticou o que chamou de Estados párias, que agem por conta própria e atacam instituições como o Tribunal Penal Internacional (TPI), alvo frequente do governo americano. Ela afirmou que os líderes mundiais têm a obrigação legal de proteger os direitos humanos, evitar a guerra e cumprir a Carta das Nações Unidas.
Pillay também comentou o elogio do comitê à sua coragem. Perguntou por que seria preciso coragem para dizer a verdade e afirmou que seu trabalho consiste em interpretar a lei e analisar os fatos de forma imparcial.
Ela disse que não pensa em parar. Hoje atua como juíza em um processo movido pela Gâmbia contra Mianmar.
Quem é Navi Pillay
Nascida em Durban, em uma família de origem tâmil indiana, Pillay se tornou advogada durante o apartheid, o regime de segregação racial da África do Sul. Ao longo da carreira, ela:
garantiu que Nelson Mandela tivesse acesso a um advogado quando estava preso;
foi a primeira mulher não branca na Suprema Corte da África do Sul;
presidiu o tribunal que julgou o genocídio em Ruanda;
chefiou a área de direitos humanos da ONU;
presidiu a comissão de inquérito da ONU que concluiu que Israel cometeu genocídio em Gaza.
O presidente do comitê afirmou que o compromisso dela com os princípios jurídicos universais foi constante em toda a carreira, mesmo diante da discriminação e da exclusão.
O prêmio
Pillay é a 21ª mulher a receber o Nobel da Paz, entre 144 premiados. Ela vai receber uma medalha de ouro e 12 milhões de coroas suecas, o equivalente a cerca de R$ 6 milhões.
Com informações do g1.



