Mais de 500 bets ilegais surgem após proibição das apostas no Brasil, aponta levantamento
Segundo a plataforma Bet Legal, 292 casas de apostas foram abertas só no dia seguinte à medida provisória. Neste ano, o governo já mandou mais de 57 mil endereços para bloqueio
As novas plataformas começaram a aparecer logo após o anúncio. Na primeira hora depois da publicação da medida provisória, foram registradas 41 casas de apostas. O pico foi no sábado (26), com 292 aberturas em um único dia.
Prazo para devolução
Antes da proibição, as casas de apostas autorizadas pelo governo apareciam em listas oficiais. Agora elas têm até segunda-feira (5) para devolver o dinheiro dos apostadores que ainda tinham saldo nas plataformas na sexta-feira (25), último dia em que era permitido apostar.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse que, desde a publicação da MP, as contas que as empresas usam para receber o dinheiro dos apostadores não podem mais aceitar novos depósitos.
57 mil endereços bloqueados
O levantamento também mostra que a Secretaria de Prêmios e Apostas enviou 57.691 endereços de sites e domínios para a Anatel bloquear entre 1º de janeiro e 22 de setembro deste ano.
Esse número conta endereços, e não empresas. A mesma plataforma pode usar vários endereços, como versões alternativas e cópias do site original.
Setor pede suspensão no STF
Também nesta segunda-feira, a Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) e o Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR) pediram ao Supremo Tribunal Federal (STF) que suspenda a medida provisória. O texto proíbe de imediato a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade de bets e cassinos online no país.
As entidades dizem que o governo não mostrou por que a medida seria urgente. Elas também lembram que o próprio Executivo mandou ao Congresso o projeto que criou as regras do setor, em 2023, e na época defendeu os ganhos econômicos da legalização. O pedido é para suspender a MP por completo até o Congresso votá-la ou até o STF julgar as ações que já estão na Corte.
Em manifesto, as associações afirmam que a proibição total seria uma "ruptura do marco regulatório construído pelo próprio Estado brasileiro". Segundo elas, o setor funciona com autorização e fiscalização do governo desde janeiro de 2025, e 31 milhões de pessoas usam plataformas legalizadas. As entidades citam como proteções desse mercado a verificação de idade e CPF, a autoexclusão, políticas de saúde mental e restrições para quem recebe benefícios sociais.
Com informações do g1.



