Pular para o conteúdo

quarta-feira Vitória, 4 de novembro de 2026

Diário de Notícia ES

Notícias do Espírito Santo

Política · Eleições 2026

Famosos fracassam nas urnas e "políticos influencers" se tornam os campeões de votos para a Câmara

Tiririca e outras celebridades ficaram sem mandato. Nikolas Ferreira, Lucas Pavanato e Erika Hilton, que ganharam projeção nas redes sociais, somaram 7,7 milhões de votos e ajudaram a eleger colegas de partido

Tiririca (PSD-CE), que não se reelegeu, e os deputados Nikolas Ferreira (PL-MG), Lucas Pavanato (PL-SP) e Erika Hilton (PSOL-SP), entre os mais votados do país
Foto: Renato Araújo / Câmara dos Deputados / Divulgação
As celebridades perderam espaço na disputa pela Câmara dos Deputados para candidatos que ganharam projeção nas redes sociais. Enquanto a maioria dos famosos ficou sem mandato, alguns dos deputados mais votados do país transformaram milhões de seguidores em milhões de votos. A análise é do portal g1.


Quem ficou de fora


Entre os famosos que tentaram uma vaga e não se elegeram estão Silvia Abravanel (PSD-SP), Val Marchiori (Republicanos-SP), o ex-jogador Luiz Fabiano (MDB-SP) e o cantor Manoel Gomes, conhecido como "Caneta Azul" (Avante-SP).


O caso mais simbólico é o de Tiririca (PSD-CE). Deputado mais votado do país em 2010, com mais de 1,3 milhão de votos, ele não conseguiu um novo mandato depois de quatro legislaturas na Câmara.


Quem liderou


Na outra ponta, Nikolas Ferreira (PL-MG), Lucas Pavanato (PL-SP) e Erika Hilton (PSOL-SP) ficaram entre os campeões de votos. Juntos, receberam 7.754.228 votos. Os três têm em comum a projeção construída nas redes sociais, onde reúnem milhões de seguidores.


Segundo o g1, o resultado mostra uma mudança na relação entre fama e política. Antes, os partidos buscavam nomes conhecidos da TV, do esporte e do entretenimento. Agora, a política produz seus próprios famosos, que formam público em torno de valores e causas muito antes da campanha.


O que diz a pesquisadora


Para Issaaf Karhawi, professora da Escola de Comunicações e Artes da USP e pesquisadora de influenciadores digitais, as redes favorecem essa aproximação porque funcionam de forma horizontal. A celebridade tradicional depende da mídia para ter visibilidade. No ambiente digital, cada um constrói a própria audiência.


Segundo ela, esses políticos mantêm uma relação contínua com o público e atuam como formadores de opinião, simplificando os debates para grupos específicos. O eleitor se reconhece no discurso e projeta nele suas expectativas.


A professora afirma que a campanha precisa estar nas ruas e, sobretudo, nas redes, com verba destinada a elas. Para ela, o meio político "não está mais na posição de menosprezar" as plataformas digitais.


O caso de Ana Elisa


A pesquisadora cita como exemplo Ana Elisa (PT-MG), influenciadora de Divinópolis eleita com mais de 500 mil votos, a deputada federal mais jovem de Minas Gerais.


Nas redes, ela disse que a atuação digital foi tratada como demérito durante a campanha e que perdeu tempo tendo de provar que rede social elege. Para a deputada eleita, é preciso ir às ruas e também às redes, onde as pessoas estão.


Os novos "puxadores de votos"


A mudança aparece também entre os chamados puxadores de votos, candidatos cuja votação ajuda a eleger outros nomes do partido.


Nikolas Ferreira (PL-MG): 3,1 milhões de votos, o equivalente a 67,6% dos votos do PL para deputado federal em Minas. A votação ajudou a garantir outras 13 cadeiras ao partido no estado.

Lucas Pavanato (PL-SP): cerca de 3 milhões de votos, com influência na eleição de outros sete deputados do PL em São Paulo.

Erika Hilton (PSOL-SP): 1,6 milhão de votos, que contribuíram para outras três vagas.


Do "efeito Tiririca" às regras atuais


Em 2010, a votação de Tiririca ajudou a eleger outros cinco candidatos de sua coligação. O fenômeno ficou conhecido como "efeito Tiririca" e levou os partidos a apostar em famosos.


Desde então, as regras mudaram. As coligações nas eleições proporcionais foram proibidas, e a lei passou a exigir um desempenho mínimo individual para que um candidato se beneficie dos votos de outros nomes do partido ou da federação. As mudanças reduziram o alcance dos puxadores, mas não acabaram com o peso deles.


Com informações do g1.

Leia também

Receba as notícias por e-mail

Um resumo do que aconteceu no Espírito Santo. Só o seu e-mail, e você sai da lista quando quiser.