Home / Mundo / Procuradora que processou Trump é acusada de fraude após investigação do governo dos EUA

Procuradora que processou Trump é acusada de fraude após investigação do governo dos EUA

A procuradora-geral do estado de Nova York, Letitia James, reconhecida por sua atuação como uma das principais opositoras de Donald Trump, foi acusada de fraude bancária nesta quinta-feira (9). Em 2022, ela havia movido uma ação judicial contra o atual presidente dos Estados Unidos, alegando fraude em demonstrações financeiras. A denúncia mais antiga é relembrada a seguir.

James tornou-se alvo de uma investigação conduzida pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, que apura suspeitas de fraude hipotecária. Um júri do estado da Virgínia autorizou o prosseguimento do processo contra a procuradora.

A apuração teve início após o diretor da Agência Federal de Financiamento da Habitação, William Pulte — nomeado por Trump —, encaminhar uma carta ao Departamento de Justiça. No documento, Pulte acusou James de “falsificar registros” com o intuito de obter condições favoráveis em empréstimos imobiliários.

Segundo ele, James teria declarado, em um pedido de hipoteca, que um imóvel adquirido no estado da Virgínia em 2023 seria sua residência principal, embora resida oficialmente em Nova York.

O advogado da procuradora, Abbe Lowell, afirmou que a informação foi resultado de um erro administrativo e que, em outros documentos, James havia esclarecido que o imóvel não seria sua residência principal, entendimento que teria sido compartilhado pelo corretor responsável pela transação.

A procuradora dos Estados Unidos para o Distrito Leste da Virgínia, Lindsey Halligan, confirmou que Letitia James foi formalmente indiciada pelos crimes de fraude bancária e falsa declaração a uma instituição financeira.

“As acusações apresentadas neste caso configuram atos criminosos deliberados e representam uma grave violação da confiança pública”, declarou Halligan em comunicado oficial.

Cada um dos crimes imputados pode acarretar pena de até 30 anos de prisão. Após o anúncio das acusações, Letitia James negou qualquer irregularidade, classificando o processo como perseguição política.

“Trata-se apenas de mais uma tentativa desesperada do presidente de instrumentalizar o sistema judiciário para satisfazer seus interesses. Ele está coagindo as autoridades federais a agirem conforme sua vontade, unicamente porque exerci meu dever como procuradora-geral do estado de Nova York”, afirmou James.

Trump, que tem reiterado promessas de retaliação contra adversários políticos, enfrentou diversos processos após deixar a Casa Branca em 2021. O presidente já se referiu a James em múltiplas ocasiões, tanto em comícios quanto nas redes sociais, chamando-a de inimiga política.


Outros alvos do presidente

O caso veio à tona poucos dias após o ex-diretor do FBI, James Comey, ser formalmente acusado de falsas declarações e obstrução de investigações no Congresso. Comey declarou-se inocente na quarta-feira (8).

Trump critica há anos a forma como Comey conduziu a investigação sobre possíveis vínculos entre sua campanha eleitoral em 2016 e autoridades russas.

Além disso, o Departamento de Justiça abriu investigações contra o senador democrata Adam Schiff — que liderou o processo de impeachment de Trump em 2019 — e contra Lisa Cook, integrante do Federal Reserve nomeada pelo presidente Joe Biden.


O processo movido contra Trump

Em 2022, Letitia James acusou a Trump Organization, empresa pertencente ao atual presidente, de enganar instituições financeiras e autoridades fiscais.

De acordo com a procuradora, Trump e sua companhia manipularam informações financeiras por cerca de uma década, inflando o valor de ativos e patrimônio líquido para obter condições mais vantajosas em empréstimos e seguros.

James sustentou ainda que o presidente superestimou seu patrimônio em até US$ 2,23 bilhões (aproximadamente R$ 12 bilhões) nas demonstrações anuais enviadas a bancos e seguradoras.

Entre os bens supervalorizados, estariam a propriedade de Mar-a-Lago, na Flórida, um apartamento na Trump Tower, em Manhattan, e diversos campos de golfe e empreendimentos comerciais.

Em 2024, um juiz determinou o pagamento de uma multa de US$ 464 milhões por parte de Trump. Meses depois, um tribunal de apelações anulou o valor por considerá-lo excessivo, embora mantenha a condenação por fraude.

Deixe um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *